Autora: Esther Lobo de Farias

A competência do professor, enquanto mediador (facilitador) da aprendizagem é sem dúvidas o principal elemento para o êxito de um curso online.

Pude perceber isso de forma mais clara através da minha experiência como mediadora à distância (tutora):

No início, pensei que seria algo muito mais simples, mas no dia-a-dia fui percebendo que o curso, nessa modalidade, exigia muito mais de mim. Os desafios postos eram muitos: (1) o desafio de me relacionar diariamente com pessoas de realidades tão diferentes, que eu nunca conheci presencialmente, mas que agora eram meus alunos; (2) o desafio de gerenciar o AVA do curso; (3) o desafio de construir uma comunidade de aprendizagem estimulando no grupo um sentimento de comunidade; (4) o desafio de  acolher o aluno e estimular sua participação nos fóruns; (5) o desafio de tornar o ambiente virtual mais aconchegante possível; e principalmente (6) o desafio de se mostrar presente.

Podemos verificar que a visibilidade do professor, ou seja, a sua presença virtual diária no AVA, estimulando os alunos através de suas mensagens públicas, de suas intervenções nos fóruns e de seus feedbacks detalhados, é fundamental para os estudantes, pois demonstra para eles, que estão sendo acompanhados no seu processo de aprendizagem, e que não estão isolados.

Realmente, não é fácil dominar todas as habilidades e competências exigidas para a atuação do professor num ambiente virtual de aprendizagem, mas desse domínio, dependerá grande parte do sucesso de um curso online.

Esse domínio não surge de uma hora para outra, mas é o resultado das experiências, cursos e leituras cotidianas sobre a EAD.

Desde o primeiro período em que comecei a atuar na UFPB Virtual, fui adquirindo uma série de competências que me fizeram atuar cada vez melhor. Hoje, já consigo dominar as ferramentas do Moodle, consigo acompanhar os ritmos individuais dos aprendentes na plataforma e me comunicar semanalmente com todos os estudantes. Além disso, procuro caprichar cada vez mais nos feedbacks e nos estímulos, pois entendo que esse retorno detalhado e estímulo constante do mediador é essencial para os aprendentes melhorarem seu desempenho no curso.

De acordo com as teorias educacionais estudadas nessa unidade, podemos observar que a abordagem pedagógica que terá mais probabilidade de sucesso na EAD é a abordagem cognitivista (ou interacionista), onde o “professor deve criar situações desafiadoras e desequilibradoras, por meio da orientação. Deve estabelecer condições de reciprocidade e cooperação ao mesmo tempo moral e racional”.

Nessa abordagem, “o objetivo da educação não está baseado em modelos, transmissão de verdades, informações, demonstrações, etc, e sim, que o aluno aprenda, por si próprio a conquistar essas verdades”. O aluno deve “aprender a aprender”, ou seja, deve descobrir sua forma individual de aprender, elaborando seu estilo e disciplina para o estudo. Aliás, acredito que esse seja um dos grandes méritos da EAD.

Autora: Esther Lobo de Farias

Uma das atribuições dos tutores é auxiliar a Equipe de Design Instrucional quanto à necessidade de proceder alguns ajustes no projeto original de DI e para isso ele deve estar atento principalmente ao perfil dos alunos e ao andamento do curso, observando sempre o feedback dos estudantes. Além disso, o tutor deve ter a capacidade de avaliar as mídias, os recursos tecnológicos, o material didático, o conteúdo, e todos os outros aspectos que envolvem o curso, sempre observando se o curso atende as necessidades educacionais dos alunos.

Em 2010, eu pude vivenciar de perto uma situação como esta em meu trabalho no Curso de Pedagogia a Distância da UFPB Virtual: Recebemos o componente (disciplina) de Estágio, do Marco VI (7º Período), onde os aprendentes (alunos) compunham a 1ª turma do curso. Dessa forma a disciplina estava estreando, juntamente com eles. Logo no inicio, ficou claro que o Design Instrucional do Componente não atenderia as necessidades dos aprendentes e por isso, tivemos que fazer muitos ajustes ao componente, juntamente com a coordenação do curso, a coordenação de estágio e a equipe de design instrucional. O estágio teve que ser reformulado e até mesmo materiais tiveram que ser produzidos, para dar suporte ao componente e atender as necessidades educacionais dos alunos. Felizmente, devido ao rápido olhar da equipe docente sobre esses problemas no DI do curso, obtivemos excelentes resultados neste componente, com 100% de aprovação e 0% de evasão ao final do curso. É claro que outros fatores contribuíram para esse sucesso, mas as mudanças adequadas, no tempo certo ajudaram muito.

SENAC – CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EAD

Módulo IV: Processo de Planejamento e Produção de Cursos em EAD

Tutora: Alessandra Giuliani Pimenta / Aluna: Esther Lobo de Farias

Autora: Esther Lobo de Farias

Com relação ao tema da unidade: “Planejamento estratégico”; podemos verificar que a EAD está em pleno crescimento no Brasil, gerando um mercado cada vez mais competitivo e por isso é importante estabelecermos critérios viáveis para investimentos futuros nesse setor, escolhendo um modelo de negócio a seguir. Além disso, é preciso pensar em estratégias de marketing para promoção e venda de cursos de EAD nesse mercado tão promissor.

Nessa perspectiva, percebemos a relevância do planejamento estratégico no desenvolvimento de modelos de negócio em e-learning. Essa nova forma de aprendizagem típica da cibercultura, trouxe consigo uma ampliação das possibilidades de negócios e oportunidades que podem ser exploradas nesse mercado.

Para o sucesso de projetos nesse novo segmento, devemos utilizar a gestão estratégica, que consiste em constituir objetivos e metas embasadas em um planejamento complexo.

Outro desafio às práticas educativas e de gestão, tem sido o gerenciamento de pessoas, principalmente quando se trata de autores, que repartem informações e conhecimentos de maneira colaborativa. Os recursos humanos são peça fundamental no estabelecimento dos valores da organização, na realização da ação administrativa, no gerenciamento e consolidação do nome da instituição.

Neste sentido, eu achei muito interessante essa perspectiva que a Aleksandra Bartsch apresenta sobre a questão do relacionamento na EAD, principalmente quando ela levanta a hipótese de que os cursos à distância possam contribuir para resgatar a capacidade dos indivíduos de enxergar uns aos outros.

Após a leitura dos textos, vídeos e comentários dos colegas nos fóruns, aprendi que é preciso se pensar a gestão como um processo que envolve diversos aspectos. Dentre estes, a questão dos resultados é um fator fundamental, caracterizando-se como o foco central da atividade gestora. Como bem disse Clemente Nóbrega no vídeo assistido “gestão é organizar para se chegar a um propósito”.

Nessa perspectiva, as propostas de intervenções pelas quais passam as organizações devem levar em conta as etapas: do planejamento, da organização, da direção, do controle e avaliação, e da retroalimentação, no processo de gestão estratégica. Isso inclui fatores como: (1) Coerência interna da estratégia organizacional; (2) Adequação aos ambientes interno e externo no qual atua a instituição; (3) Conhecimento dos recursos organizacionais e da viabilidade da proposta; (4) Escolha das estratégias apropriadas (liderança em custos, diferenciação, foco); (5) Definição do grau de risco admissível pela instituição; e (6) Aceitabilidade da proposta.

No que se refere ao perfil e as características de um gestor para atuar no gerenciamento de projetos educacionais para EAD; ficou claro que um gestor é acima de tudo um líder. É alguém que sabe conduzir pessoas a um determinado propósito, da melhor maneira possível. O líder eficaz deve apresentar competências específicas, relativas à: formação de profissionais, conhecimento do assunto, orientação e acompanhamento, motivação da equipe, comunicação, paciência, disponibilidade e providência de recursos necessários.

No texto “Sociedade e organizações em transição” aprendi que vivemos em um ambiente em constante transformação e estas mudanças, perpassam o modelo da EAD no Brasil, que passa a ser arquitetado e revisto, de acordo com as necessidades e com os valores que mudam rapidamente.

Nos textos sobre legislação da EAD verificamos a importância da LDB 9.394/96, para a diversificação das iniciativas em Educação a Distância e sua força cada vez maior no cenário educacional. Além da LDB, o Decreto 5.622, que regulamenta a mesma, assume papel fundamental na legislação sobre EAD, pois dispõe sobre o credenciamento de instituições públicas e privadas para a oferta de cursos e programas, na modalidade a distância, para a educação básica de jovens e adultos, educação profissional técnica e educação superior. Outros documentos importantes são: os “Indicadores de Qualidade em EAD”, o “Decreto nº 6.301, de 12/12/07, que institui o Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil (E-Tec Brasil); além de outros documentos normativos. A legislação específica em EAD é uma grande conquista para o povo brasileiro, que tem agora na educação a distância uma possibilidade real para a democratização do ensino.

Na entrevista com Clemente Nóbrega, é evidente que novas tendências estão ganhando espaço tanto no setor empresarial, quanto no setor educacional e o gestor bem sucedido deve estar a par dessas mudanças. As novas tecnologias trouxeram maior agilidade nos processos e na comunicação. As pessoas estão assumindo um papel cada vez mais importante nas grandes organizações. Além disso, a ênfase na hierarquização e na centralização tem aberto espaço para uma melhor distribuição das responsabilidades, para a descentralização, para a valorização das pessoas, da inteligência e da criatividade humana.

Nesse cenário atual, o gestor precisa apresentar competências fundamentais, como por exemplo: (1) o foco em propósitos, em resultados; (2) a habilidade de integrar esforços para atingir seu propósito; (3) coerência no comportamento; entre outras.

Com relação ao fórum de discussão, concordo com os colegas, quando enfatizam o papel essencial da gestão focalizada nos resultados (nas metas). Entretanto, devemos tomar cuidado para não dar menor importância ao processo. Se focarmos mais no processo e não avaliarmos os resultados, teremos grandes chances de fracassar. Por outro lado, se focarmos mais o resultado do que no processo, correremos o risco de oferecer um produto e/ou serviço de baixa qualidade. Portanto, creio que para uma gestão bem sucedida, eficiência (foco no processo) e eficácia (foco no resultado) devem andar lado a lado.

 

Sala de aula interativa

Publicado: março 27, 2013 em Uncategorized

Olá Pessoal

Entender como se processa a interatividade em seu sentido mais fiel, é uma tarefa desafiadora, para os educadores que tiveram uma formação centrada na transmissão de conhecimentos, e que por consequência, não conhecem outra forma de educar que não seja essa: onde o aluno é visto como um espectador passivo e o professor, como aquele que detém o conhecimento (poder) e sua função é apenas despejar naquele aluno, o conhecimento que ele considera importante para a sua educação.

Dessa forma, o maior desafio que Marco Silva apresenta para nós, através do texto “Sala de aula interativa” é a necessidade de se investir na formação e adaptação dos professores a essa nova transição do modo de comunicação massivo para o interativo.

Como bem falou a nossa colega Girlene “O professor está desafiado a desconstruir a sua prática anterior, onde ele esperava um aluno passivo que apenas ouvia, copiava e prestava contas”.

O aluno de hoje é muito diferente do aluno de ontem. Se o professor não se adaptar a essas mudanças corre o risco de se tornar chato e cansativo para seus alunos.

Não é necessário ter a disposição um vasto aparato tecnológico, como se costuma pensar para promover a interatividade.

O texto deixa bem claro que a “interatividade é um conceito de comunicação e não de informática”. Neste sentido, um professor pode dispor de vários recursos tecnológicos e continuar educando de forma tradicional, centrado apenas na transmissão de conhecimentos.

De acordo com Marcos Silva, para promover a interatividade nos mais diversos espaços educativos, o educador deve “converte-se em formulador de problemas, provocador de interrogações, coordenador de equipes de trabalho, e sistematizador de experiências”. Ou seja, deve (1) “Estimular a participação dos alunos para que eles atuem na construção do conhecimento e da comunicação”; (2) “Garantir a bidirecionalidade da emissão e recepção”; (3) “Disponibilizar múltiplas redes articulatórias”; (4) “Engendrar a cooperação”; e (5) “Suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades”.

Enfim, diante de todas as leituras realizadas, e das valiosas colocações dos estimados colegas, podemos constatar que para se promover uma sala de aula interativa é preciso entrar em sintonia não só com as mudanças advindas da era digital, mas com as novas formas de comunicação, centradas na interação e na construção coletiva do conhecimento e da aprendizagem.

Autora: Esther Lobo de Farias

MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO

Publicado: março 27, 2013 em Uncategorized

Autora: Esther Lobo de Farias

De acordo com Pierre Lévy (1999), antes de considerarmos as mudanças que ocorreram nos últimos anos nos sistemas de educação e nos sistemas de formação, precisamos analisar previamente alguns fatores, como: (1) a “mutação contemporânea da relação com o saber”. Ou seja, é preciso compreender a velocidade com que os saberes e savoir-faire têm surgido e se renovado em nossa sociedade globalizada; (2) a “nova natureza do trabalho”, que segundo o autor, está cada vez mais relacionada a “aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos”; e (3) a emergência do Ciberespaço e das novas tecnologias que favorecem “novas formas de acesso à informação” e “novos estilos de raciocínio e de conhecimento”, ampliando a capacidade de “inteligência coletiva dos grupos humanos”.

Esses fatores têm provocado mutações profundas nos dados do problema da educação e da formação, gerando a necessidade de duas grandes reformas nesse sentido:

A primeira diz respeito à inserção de um novo estilo de pedagogia proveniente da EAD, que favoreça as aprendizagens individuais e coletivas em rede. Onde o professor não é mais um mero transmissor de conhecimentos, mas um mediador, incentivador, “animador da inteligência coletiva de seus grupos de alunos”.

A segunda reforma se refere ao “reconhecimento das experiências adquiridas”. Ou seja, a necessidade de se pensar na criação de mecanismos de “reconhecimento dos saberes e savoir-faire adquiridos na vida social e profissional”. É preciso se pensar na valorização das competências e habilidades obtidas fora do sistema acadêmico, através das experiências individuais e/ou coletivas.

Nesse sentido, o ciberespaço pode ser um lugar propício para o gerenciamento e execução dessas reformas, fornecendo ambientes propícios à aprendizagem colaborativa e ao reconhecimento das experiências adquiridas.

É preciso ainda, analisar que nesta Era da Informação, podemos e devemos considerar a Educação como o componente fundamental deste processo. Dessa forma, precisamos investir consideravelmente nos elementos que construirão segundo Pierre Lévy, estas redes do futuro, dando significado as árvores do conhecimento. E esses elementos são os professores, os mediadores desse processo. Devemos lutar para que esses profissionais tenham acesso às múltiplas tecnologias e possam acessá-las plenamente, adquirindo as competências e habilidades necessárias para que possam levar seus aprendizes a refletirem criticamente sobre as mudanças que estão acontecendo a sua volta.

E nesse sentido, o Brasil tem ainda dado seus primeiros passos.

Atualmente o principal programa do Governo Federal, que tem como objetivo em uma de suas vertentes, a formação continuada dos professores e outros agentes educacionais para o uso pedagógico das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) é o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO), promovidos pelo MEC através da Secretaria de Educação a Distância, no contexto do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE.

          Esse programa, do qual participo atualmente na condição de professora formadora, capacitando professores da rede municipal de ensino da cidade de João Pessoa, tem contribuído para sanar algumas dessas dificuldades com relação à inclusão digital dos professores da educação básica, promovendo os cursos de Introdução à Educação Digital (40h), o curso Tecnologias na Educação: Ensinando e Aprendendo com as TIC (100h) e o curso Elaboração de Projetos.

O objetivo central desse Programa é a inserção de tecnologias da informação e comunicação (TIC) nas escolas públicas brasileiras, visando principalmente: (1) promover a inclusão digital dos professores e gestores escolares das escolas de educação básica e comunidade escolar em geral; e (2) dinamizar e qualificar os processos de ensino e de aprendizagem com vistas à melhoria da qualidade da educação básica.

Acredito que esse pode ser um bom começo para a educação brasileira, pois não adiantará o governo investir em equipamentos de última geração e colocar a disposição dos educadores um ambiente equipado de recursos tecnológicos, se não houver investimento anterior na formação e atualização dos professores.

Não faz muito tempo, acompanhamos o desperdício de dinheiro do governo federal, mandando computadores para as escolas públicas, sem que estas tivessem ao menos instalações elétricas adequadas, o que resultou em computadores queimados antes mesmo que os laboratórios fossem inaugurados. Vimos também que os laboratórios que ficaram funcionando, geralmente acabaram sendo inutilizados na escola, pois os professores não sabiam utilizar.

Se todo esse dinheiro desperdiçado tivesse sido investido na formação e atualização desses professores, poderíamos ter hoje uma realidade bem diferente nas escolas públicas brasileiras.

Por fim, diante da emergência dessa sociedade globalizada, precisamos urgentemente nos preparar para as mudanças que ainda ocorrerão nos sistemas de educação e nos sistemas de formação nos próximos anos.

Com o rápido avanço das novas tecnologias, essas mudanças poderão acontecer mais rápido do que esperamos e o caminho para essa preparação não pode deixar de levar em conta a Educação, como peça fundamental deste processo. Somente assim, conseguiremos aparelhar o Brasil para a expansão do conhecimento que a Cibercultura esta provocando.

Concordo com Pierre Lévy, quando ele afirma que: “Com esse novo suporte de informação e de comunicação emergem gêneros de conhecimento inusitados, critérios de avaliação inéditos para orientar o saber, novos atores na produção e tratamento dos conhecimentos. Qualquer política de educação terá que levar isso em conta”.

Precisamos nos abrir para uma nova perspectiva de conhecimento, e consequentemente para uma nova pedagogia. Precisamos reinventar a escola, criando uma conexão entre a tecnologia e a educação, que possibilite aos alunos o prazer pela aprendizagem e pela construção coletiva do conhecimento, preparando a sociedade para esse novo momento de mudanças e transformações.

 REFERÊNCIAS

 LÉVY, Pierre. A nova relação com o saber. Texto do Módulo 2: Tutoria Online – Curso de Especialização em Educação a Distância – EAD/SENAC, 2010.

__________. As mutações da educação e a economia do saber. Texto do Módulo 2: Tutoria Online – Curso de Especialização em Educação a Distância – EAD/SENAC, 2010.

RAMOS, Edla Maria Faust; FIORENTINI, Leda Maria Rangearo; ARRIADA, Mônica Carapeços. Introdução à Educação Digital: guia do formador. 2. ed. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação à Distância, 2009.

Estou compartilhando com vocês o Registro da Observação realizada na 1ª Rodada de Discussão do Grupo Expert, no Fórum de Simulação, sobre o tema “Aprendizagem Vicária”.

1) Sobre o tema proposto

Apesar do fórum em questão, ter por objetivo, a aplicação dos conhecimentos adquiridos até agora sobre a intervenção tutorial e o gerenciamento de discussões em grupo no AVA, reconhecemos a relevância e atualidade do tema “Aprendizagem Vicária” para a práxis do tutor on-line, e por isso, é importante que a abordagem desta temática receba a devida atenção.

2) Sobre a participação do tutor interventor

Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar o nosso colega Fábio Guilherme pela sua atuação como tutor interventor nessa primeira rodada de debates.

Não é nada fácil estar nessa posição de liderança, gerenciando uma discussão sobre um tema tão polêmico como esse, com pessoas capacitadas como as que temos em nosso grupo e ainda assim, organizar sua intervenção tutorial de forma dinâmica e com qualidade.

Além disso, sabemos que ele dispunha de pouco tempo para a realização dessa tarefa, devido a estar participando de outras atividades fora da cidade, como ele mesmo compartilhou com o grupo na Sala dos Professores.

Todavia, como essa atividade de simulação tem por objetivo a nossa aprendizagem sobre a intervenção tutorial e o gerenciamento de discussões em grupo no AVA, é necessário que façamos algumas considerações importantes sobre a sua participação no fórum dessa semana. Afinal, estamos todos aqui para aprender, inclusive eu. Se isso não fosse verdade, não estaríamos matriculados nesse curso, concordam?

Neste sentido, apresento a seguir algumas observações feitas ao longo dessa rodada de debates:

No material lido referente a esta unidade, li que o tutor on-line deve evitar responder algumas perguntas imediatamente, assumindo uma postura de entrevistado. Notei que em alguns momentos da discussão o Fábio respondeu as perguntas dirigidas a ele imediatamente, sem deixar nenhum questionamento ou reflexão para que a dinâmica do debate fosse mantida. Quando, por exemplo, o João Guilherme (aluno) perguntou diretamente ao Fábio (tutor interventor): o “nosso grupo Expert seria um bom exemplo de aprendizagem vicária? [provocando]”, o Fábio respondeu diretamente a pergunta. Talvez se ele respondesse ao João com outra pergunta que o fizesse refletir sobre o que ele havia apresentado, obtivesse mais êxito e manteria o gerenciamento do debate. Acredito que ele poderia ter explorado mais a problematização do tema, estimulando a interação entre os alunos e auxiliando os mesmos a alcançarem aprendizagens significativas.

Os principais pontos positivos que destaco na intervenção do Fábio são: a (1) presença virtual dele, que todos podemos verificar. Apesar de suas ocupações, ele esteve presente durante todo o debate, interagindo com os alunos; a (2) valorização da contribuição individual e das experiências compartilhadas pelos alunos; e o (3) equilíbrio que demonstrou ao lidar com as pressões e desafios que surgiram durante o debate.

3) Sobre a participação dos alunos

Observando as participações de todos de um modo geral, podemos dizer que esse, realmente, NÃO foi um fórum equilibrado. Observem o número de intervenções de cada participante do grupo nessa primeira rodada de discussões:

Fábio 1 (Tutor Interventor) – nº de intervenções: 09

João (Aluno) – nº de intervenções: 10

Giovanna (Aluna) – nº de intervenções: 03

Fábio 2 (Aluno) – nº de intervenções: 01

Maria  (Aluna) – nº de intervenções: 01

Márcia (Aluna) – Ausente

De acordo com esses dados, o que houve na verdade foi um diálogo entre o João Guilherme (aluno) e o Fábio (tutor), com algumas raras intervenções dos demais alunos.

Esse é um problema muito comum, que pode acontecer com qualquer um de nós na nossa atuação tutorial. Quando um aluno é mais ativo que os outros e o debate acaba se tornando centralizado em uma só pessoa.

O desafio do tutor, nesse caso, é o de descentralizar o fluxo desse debate unilateral, e estimular a participação dos demais na discussão do tema.

Para isso, o tutor deve evitar dar a este aluno mais ativo, respostas prontas e objetivas. Ao invés disso, ele deve problematizar a questão do aluno mais participante, direcionando-a a todo o grupo, para que os outros alunos se sintam convidados a entrar na discussão também.

Obs. Não citei as duas participações da Micheline, pois ela não era aluna nessa rodada e sim tutora observadora do fórum.

No demais, espero que essas observações possam ajudar os colegas na aprendizagem sobre a intervenção tutorial e o gerenciamento de discussões em grupo no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Abraços a todos e um ótimo final de semana!!!

Atenciosamente

Esther Lobo

Tutora Observadora

No texto “O Papel do Professor em Contextos de Ensino Online: problemas e virtualidades”, Lina Morgado defende a idéia de que a chave para o sucesso de um curso dessa natureza está centrada na atuação do professor.

            Concordo com a autora nesse sentido, embora reconheça que existem outros fatores importantes para o sucesso desses cursos, como por exemplo: (1) a motivação e a disciplina individual de cada aluno para a aprendizagem; (2) a qualidade dos recursos pedagógicos disponíveis para o ensino online; (3) o planejamento e a organização do curso; (4) o acesso efetivo dos participantes às novas tecnologias de comunicação e informação; (5) o suporte técnico, etc. 

            Além disso, existem outras questões relevantes a se considerar, como o modelo de ensino online adotado. Alguns modelos são mais centrados no professor, outros mais centrados na tecnologia e outros ainda, mais centrados no estudante. Segundo a autora “um modelo equilibrado seria aquele em que cada um destes três aspectos fosse fundamental, mas sem se sobrepor aos outros dois”.

            Sem dúvida, que todos esses fatores são importantes para o sucesso de um curso online, mas é inquestionável a importância de um professor ativo e preparado para mediar às discussões no AVA. A competência do professor, enquanto mediador (facilitador) da aprendizagem é sem dúvidas o principal elemento para o êxito de um curso online.

            Pude perceber isso de forma mais clara através da minha experiência como mediadora à distância (tutora):

Desde que comecei a atuar no curso de Pedagogia a distância da UFPB Virtual em 2009, verifiquei que as habilidades e competências que me foram exigidas durante a minha atuação nesse curso eram distintas daquelas requeridas no ensino presencial.

No início, pensei que seria algo muito mais simples, mas no dia-a-dia fui percebendo que o curso, nessa modalidade, exigia muito mais de mim. Os desafios postos à minha frente eram muitos: (1) o desafio de me relacionar diariamente com pessoas de realidades tão diferentes, que eu nunca conheci presencialmente, mas que agora eram meus alunos; (2) o desafio de gerenciar o AVA do curso; (3) o desafio de construir uma comunidade de aprendizagem estimulando no grupo um sentimento de comunidade; (4) o desafio de  acolher o aluno e estimular sua participação nos fóruns; (5) o desafio de tornar o ambiente virtual mais aconchegante possível; e principalmente (6) o desafio de se mostrar presente.

Podemos verificar que a visibilidade do professor, ou seja, a sua presença virtual diária no AVA, estimulando os alunos através de suas mensagens públicas, de suas intervenções nos fóruns e de seus feedbacks detalhados, é fundamental para os estudantes, pois demonstra para eles, que estão sendo acompanhados no seu processo de aprendizagem, e que não estão isolados.

Realmente, não é fácil dominar todas as habilidades e competências exigidas para a atuação do professor num ambiente virtual de aprendizagem.

De acordo com Lina Morgado, os aspectos que recebem intervenção direta do professor no ensino online são: (1) os aspectos pedagógicos (processo de aprendizagem, desde as técnicas de ensino às técnicas que se centram na facilitação da aprendizagem); (2) os aspectos de gestão (organização e planificação do curso e das atividades de ensino); (3) os aspectos sociais (criação de um contexto social de aprendizagem, promovendo a unidade, as relações interpessoais do grupo e o trabalho colaborativo); e (4) os aspectos técnicos (familiarizar o aluno com as novas tecnologias – softwares/plataforma – e com as competências da comunicação online).

Dessa forma, percebemos que o professor que antes lidava apenas com o ensino presencial e agora passa a lidar com o ensino online, tem que passar por um processo de adaptação a esse novo contexto, assimilando novas competências e habilidades necessárias a sua atuação, não só no aspecto pedagógico, como também nos aspectos de gerenciamento, socialização e de conhecimentos técnicos.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

MORGADO, Lina. O papel do professor em contextos de ensino on-line. Texto do Módulo 2 – Tutoria Online – Curso de Especialização em Educação a Distância – EAD/SENAC, 2010.